As 10 melhores frases de Deleuze sobre Foucault

Filosofia, Listas, NotaFilosófica

As citações deste post foram retiradas do livro “Conversações”, da edição de 1992 da Editora 34.

Um pouco de possível, senão eu sufoco… (Michel Foucault)

Michel Foucault é, sem dúvida, um dos mais importantes filósofos de todos os tempos. E o mesmo se pode falar a respeito de Gilles Deleuze. No livro Conversações, Deleuze dedica todo um capítulo para falar sobre Foucault. Mas não se trata de análise sobre sua obra; não é um leitor, exterior, falando sobre um texto, teórico e distante. É afeto que atravessa estes dois corpos e, assim, o que temos são estas maravilhosas leituras:

Quando morre alguém que se ama e admira, às vezes se tem a necessidade de lhe traçar o perfil. Não para glorificá-lo, menos ainda para defendê-lo; não para a memória, mas para extrair dele essa semelhança última que só pode vir de sua morte, e que nos faz dizer “é ele” (p. 127)

Ele tinha uma extrema violência controlada, dominada, tornada coragem. Ele percebia o intolerável. (…) É um homem de paixão, e ele dá ao termo “paixão” um sentido muito preciso. (p. 128)

Creio que o pensamento de Foucault é um pensamento, não que evoluiu, mas que procedeu por crises. Não acredito que um pensador possa não ter crises, ele é sísmico demais. Há em Leibniz uma declaração esplêndida: “Depois de ter estabelecido estas coisas, eu pensava entrar no porto, mas quando me pus a meditar sobre a união da alma e do corpo, fui como que lançado de volta ao alto mar”. É justamente o que dá aos pensadores uma coerência superior, essa faculdade de partir a linha, de mudar a orientação, de se reencontrar em alto mar, portanto, de descobrir, de inventar. (p. 130)

Há em Foucault uma comicidade universal: não só a comicidade das punições, que constituem as grandes páginas cômicas de Vigiar e punir, mas a comicidade das coisas e a das palavras. Foucault riu muito, em sua vida assim como em seus livros. (p. 132-133)

 

Houve um momento em que Foucault suportava mal o fato de ser conhecido: o que quer que dissesse, era esperado, para ser elogiado ou criticado, sequer tentavam compreender. Como reconquistar o inesperado? O inesperado é uma condição de trabalho. Ser um homem infame era como um sonho de Foucault, seu sonho cômico, o seu riso.” (p. 134-135)

 

O que Foucault diz é que só podemos evitar a morte e a loucura se fizermos da existência um “modo”, uma “arte”. (p. 141)

 

O próprio Foucault, não o apreendíamos exatamente como uma pessoa. Mesmo em ocasiões insignificantes, quando entrava num aposento, era mais como uma mudança de atmosfera, uma espécie de acontecimento, um campo elétrico ou magnético, como preferir. Isso não excluía de modo algum a suavidade ou o bem-estar, mas não era da ordem da pessoa. Era um conjunto de intensidades. (p. 143)

 

O que recebe, Foucault o transforma profundamente. Ele não pára de criar. (p. 147)

 

Lembramos de um gesto ou de um riso, mais que de datas. [Quando perguntado em que ocasião conheceu Michel Foucault] (p. 105)

 

Quando as pessoas seguem Foucault, quando têm paixão por ele, é porque têm algo a fazer com ele, em seu próprio trabalho, na sua existência autônoma. Não é apenas uma questão de compreensão ou de acordo intelectuais, mas de intensidade, de ressonância, de acorde musical. (p. 108)

One thought on “As 10 melhores frases de Deleuze sobre Foucault

Comments are closed.