As 12 melhores citações de A Cultura no Mundo Líquido Moderno, de Zygmunt Bauman

Filosofia, Listas, Matérias Literárias, NotaFilosófica

Um dos mais importantes pensadores da atualidade, Zygmunt Bauman fala a respeito da liquidez do amor, da identidade, da cultura… enfim, da modernidade. Neste livro, Bauman o autor faz uma análise da ideia de cultura na contemporaneidade, a partir de preceitos modernos e pós-modernos, analisados e criticados por esta concepção de liquidez.

Selecionamos, a seguir, 12 citações desta obra tão importante para compreender o Mundo Líquido de Bauman.

Para ler a resenha completa da obra, clique AQUI.

Nenhum produto da cultura me é estranho; com nenhum deles me identifico 100%, totalmente, e de certo não em troca de me negar outros prazeres. Sinto-me em casa em qualquer lugar, embora não haja um lugar que eu possa chamar de lar.

 

“Dissolver tudo que é sólido” tem sido a característica inata e definidora da forma de vida moderna desde o princípio; mas hoje, ao contrário de ontem, as formas dissolvidas não devem ser substituídas (e não o são) por outras formas sólidas – consideradas “aperfeiçoadas”, no sentido de serem até mais sólidas e “permanentes” que as anteriores, e portanto até mais resistências à liquefação. No lugar de formas derretidas, e portanto inconstantes, surgem outras, não menos – se não mais – suscetíveis ao derretimento, e portanto também inconstantes.

 

A cultura é modelada para se ajustar à liberdade individual de escolha e à responsabilidade. (…) Sua função é garantir que a escolha seja e continue a ser uma necessidade e um dever inevitável da vida, enquanto a responsabilidade pela escolha e suas consequência permaneçam onde foram colocadas pela condição humana liquido-moderna.

 

Hoje, o sinal de pertencimento a uma elite cultural é o máximo de tolerância e o mínimo de seletividade. O esnobismo cultural consiste agora na ostentosa negação do esnobismo. O princípio do elitismo cultural é onívoro – está à vontade em qualquer ambiente cultural, sem considerar nenhum dele seu lar, muito menos o único lar.

 

“A moda”, diz George Simmel, “nunca apenas é. Ela existe num permanente estado de devir.” (…) A moda (que, permitam-me reiterar, extrai a sua força da falta de inclinação humana para a distinção e do desejo de uniformidade) multiplica e intensifica as distinções, diferenças, desigualdades, discriminações e deficiências que ela promete suavizar e, em última instância, eliminar.

 

Parece que fragmentar o espaço pública, sobrecarregando-o de conflitos intercomunais, é a própria infraestrutura política exigida pela nova hierarquia de poder global para a prática da estratégia do não-engajamento; e que os poderes globais situados no topo dessa hierarquia, alcançando o “espaço dos fluxos”, irão cultivar, aberta ou secretamente, mas sempre de modo assíduo e atento, enquanto lhes for permitido, a desconexão da cena e a dessincronização das falas atribuídas ao elenco. Para que não haja coisa alguma com o que se preocupar, os gerentes da ordem global precisam de uma abundância inexaurível de inquietação local.

 

A nova indiferença à diferença apresenta-se, em teoria, como uma provação do “pluralismo cultural”. A prática política constituída e apoiada por essa teoria é definida pelo termo “multiculturalismo”. (…) Seu empreendimento é a transformação da desigualdade social, fenômeno cuja aprovação geral é altamente improvável, sob o disfarce da “diversidade cultural”, ou seja, um fenômeno merecedor de respeito universal e do cultivo cuidadoso. Com esse artifício linguístico, a feiura moral da pobreza se transforma magicamente, como que pelo toque de uma varinha de condão, no apelo estético da diversidade cultural.

 

Os enxames, ao contrário das colunas em marcha, não exigem sargentos ou cabos; encontram infalivelmente seu caminho sem a interferência desagradável dos escalões superiores com suas ordens do dia. Ninguém lidera os enxames para os campos floridos; ninguém precisa manter os membros do enxame sobre controle, pregar para eles, tocá-los adiante pela força, com ameaça ou forçando-os no caminho. Quem quiser conservar um enxame de abelhas num curso desejável se dará melhor cuidando das flores no campo, não adestrando cada abelha.

 

Na Europa, como em nenhum outro lugar, um “Outro” sempre viveu muito perto, ao alcance da vista ou das mãos, metaforicamente, claro, já que sempre próximo em espírito, mas com frequência literalmente também, num sentido corporal. Na Europa, um “Outro” é o vizinho mais próximo, e assim os europeus têm que negociar as condições de sua vizinhança apesar das diferenças que os dividem.

 

Tal como no passado, somos motivados pelo impulso eminentemente moderno de transgredir, porém não ficamos mais deleitados por seu objetivo ou destino, nem somos tentados a imaginá-los.

 

Cada apelo por reconhecimento contém, afinal, o elemento de uma tendência fundamentalista difícil de suavizar, e mais ainda de eliminar, que em geral empresta às demandas – na terminologia de Fraser – um “caráter sectário”.

 

Gerentes e artistas apresentam-se uns aos outros com propósitos opostos. O espírito do gerenciamento procede em estado de guerra constante com a contingência que é o território/ecótipo natural da arte. (…) O controle sobre o empreendimento e o esforço humanos realizados pela administração resumem-se, em última instância, a seu desejo de dominar o futuro. Há, portanto, uma carrada de razões para que os administradores e o povo das artes não se tolerem.

 

Edição: Zahar, 2011