As 20 melhores citações de Coisas e Crônicas, de Cíntia Nascimento

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A Editora NotaTerapia, selo da Editora Multifoco, lança no mês que vem, dia 03/12/16, o livro “Coisas e Crônicas”, de Cíntia Nascimento. Recheado de crônicas e poemas sobre a vida no interior de Minas Gerais, a autora leva os leitores a mergulhar nas memórias da infância com maestria, numa escrita capaz de fazer lembrar dos cheiros, dos gostos e das sensações de ser criança.

Questionamentos e observações sobre as diversas faces do mundo que nos cerca também estão presentes em seus textos leves e cheios de significado. Um verdadeiro convite para refletir sobre sentimentos como amizade, amor e esperança.

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Confira, abaixo, as 20 melhores frases da obra:

Quem não conhece uma Aleluia que desistiu de um farol por causa de uma falsa luz brilhante? Eu conheço várias. – Aleluias

E eram mesmo bons, ótimos dias. Os de minha avó colhiam lembranças. E os meus plantavam saudades. – Riacho

Ainda ouço o coração saltitando com a alegria de uma amazona que ganhou o primeiro prêmio. E desde aquela noite sigo enfrentando todos os carrosséis que me aparecem pela frente, um de cada vez. – Carrossel

Que ninguém me entenda mal, pois hoje sei a importância de um lugar como aquele para acolher os desesperos que nos acometem nesta vida. Mas, naquela época, a Sala dos Milagres era para mim uma representação de tudo o que havia de mais tenebroso. – Sala dos Milagres

Vejo com toda nitidez a criançada correndo na poeira do pátio de terra, com os rostos vermelhos e a boca sapecada pelo cortante frio sul-mineiro. A gritaria na hora do recreio, quando a gente corria para o portão e comprava algodão-doce quentinho, feito na hora. – O barquinho amarelo

Lá estava mesmo ele, pedalando em círculos, como quem procura por alguma coisa que ainda não sabe bem o que é. Um Papai Noel de verdade, com roupa supervermelha, botas pretas e saco de presentes nas costas. Mas de onde ele tinha vindo?. – O ciclista iluminado

Feliz sou eu que em noites especiais posso receber aqui em casa, tão longe, personagens ilustres como esta dama florida, que tem cheiro de saudade. – Dama-da-noite

Interiorana que sempre serei, vez ou outra envio uma carta para as montanhas de Minas. Sorte minha que lá ainda tem gente disposta a gastar tempo abrindo um envelope para saber o que eu conto. Muita sorte. – Papel de carta

A música que nascia da boneca de pano que minha mãe me mandou de presente pelo correio. O olhar da minha avó me pedindo para guardar a foto de quando ela era moça.O desajeitado e breve cavalgar na roça do meu tio. O êxtase em frente ao berço onde dormia meu irmão recém-chegado da maternidade. – Uma noite

Caprichou no sotaque com cheiro de cacau para contar que, há alguns anos, tinha deixado o casal de filhos com a mãe na roça, perto de Feira de Santana, para fugir daquela que chamavam de vida e sobreviver em São Paulo. – Apenas Neide

Frango com quiabo, costelinha de porco, virado de banana. Isso sem falar no mingau de fubá com ovo e alho – servido com amor sempre que alguém tinha uma gripe – e no creme de ameixa, que adoçava nossos domingos de família. Com um passado tão bem temperado por lembranças, só podia dar nisso. – Eu preciso das panelas

Nosso encontro me fez pensar em todos os crachás que carregamos pela vida afora, tentando provar que merecemos ser notados. – O crachá

Elas não paravam de morrer. Uma a cada mês. Às vezes até com um intervalo menor. De tal modo que se eternizaram como protagonistas de memórias do tipo que a gente gostaria de não ter que carregar. – O cheiro da morte

Sempre penso em como aquele pai conseguia passar os dias e os anos convivendo com um segredo que devia corroer a alma. Seria ele culpado por pactuar com a mulher, atuando como cúmplice de seu desatino? – O bebê

E, ainda hoje, nas felizes ocasiões em que podemos estar juntas, nos lembramos com saudades daquelas quatro corajosas garotas, que acreditavam poder conquistar o mundo, com ou sem ingresso. – Atração principal

Entre e fique à vontade. Mas, antes, limpe bem os pés no tapete. Poeiras passadas podem ficar do lado de fora. – O visitante

Vassoura sem vulto,
a vida do avesso, fragmento.
Veio você,
fez-se o vento.
– Fragmento

Encarou seus olhos bem fundo,
indagou uma resposta sincera.
Porém o reflexo inerte, confuso,
também não sabia quem era.
– O reflexo

Se for ouro, alumínio.
Se esmeralda, diamante.
Se céu azul, buraco negro.
Se vida longa, só um instante.

– Se

E o tudo,
depois do tempo,
trouxe um temível talvez:
atada,
talvez tanto,
talvez partes,
talvez nada.
– O tempo