9 dicas bem-humoradas de Stephen King para você ser um escritor melhor!

Dica de Leitura, Matérias Literárias

Sobre a Escrita começou a ser escrito há mais de 15 anos. Republicado no Brasil há mais de um ano e, ainda assim, é possível em uma leitura atenta, encontrar trechos preciosos não só da vida de um dos escritores mais reconhecidos do nosso tempo como também várias das suas técnicas como escritor. Em um desenvolvimento muito fluido e diversas vezes com um tom de zombaria, o nosso querido Stephen King nos dá algumas preciosas dicas de como procedermos enquanto escritores. E tendo isso em vista separei oito trechos/dicas muito bem-humoradas que King nos presenteia no decorrer do seu livro.

1- Boom!

“Parando para pensar, faço parte de um grupo seleto: um dos poucos e derradeiros romancistas americanos que aprenderam a ler e escrever antes de aprenderem a comer uma porção diária de porcarias televisivas. Isso pode não ter importância. Por outro lado, se você estiver começando a carreira de escritor, sugiro desencapar o fio da sua televisão, enrolá-lo em um prego bem grande e enfiar o prego na tomada. Repare em como e quanto vai explodir.

É só uma ideia.” (p. 34)

– Sério crianças, – não – façam isso em casa.

2- Não se metam em roupas de mergulho quando forem escrever!

“Para mim, a escrita é sempre melhor quando é íntima, tão sexy quanto pele na pele. Com Carrie, a estranha, era como se eu tivesse metido em uma roupa de mergulho que não conseguia tirar” (p. 70)

– Complicado, ein…

3- Sempre deixar uma pá em mãos!

 “Nenhum deles [dos três romances anteriores à Carrie, a estranha], porém, me ensinou as lições que aprendi com Carrie White. A mais importante delas é que a percepção original do escritor sobre um personagem ou personagens pode ser tão equivocada quanto a do leitor. A segunda lição, quase tão importante quanto a primeira, foi perceber que parar uma história só porque ela é emocional ou criativamente custosa é uma péssima ideia. Às vezes é preciso perseverar, mesmo quando não se tem vontade, e às vezes você está fazendo um bom trabalho mesmo quando parece estar sentado escavando merda.” (p.71)

– Porque fazer isso apenas com as mãos deve ser muito desagradável…

4- Juro solenemente não fazer nada de bom! Não, pera…

 “Uma das piores coisas que se pode fazer é tentar enfeitar o vocabulário, procurando por palavras longas porque tem vergonha de usar as curtas sempre. Fazer isso é como enfeitar seu animal de estimação com roupas sociais. O bichinho fica morrendo de vergonha, e a pessoa que cometeu esse ato de fofurice premeditada deveria ficar ainda mais. Faça agora mesmo a promessa solene de nunca usar gratificação quando quis dizer gorjeta…” (p.105)

5- Nunca virar piada numa festa!

“Quando eu era adolescente, havia uma brincadeira que fazíamos em festas que se baseava na capacidade de criar swifties inteligentes (ou quase inteligentes. “’Que belos peitos, madame’, disse ele, respeitosamente” é uma que me lembro. Outra: “sou encanador’, disse ele, com jeito desencanado” […] Ao avaliar se vale a pena fazer perniciosos dentes-de-leão/advérbios acompanharem verbos dicendi ao construir diálogos, eu sugiro que você se pergunte se quer mesmo escrever o tipo de prosa que pode acabar virando piada durante uma festa.” (p. 112)

– Malandramente, King falou a nós.

6- I believe, I can fly

“Estou convencido de que o medo é a raiz de toda má escrita. Se você escreve por prazer, o medo pode ser moderado – timidez  é a palavra que usei aqui. Se, no entanto, estiver trabalhando sob pressão, com um prazo apertado – um trabalho escolar, um artigo de jornal, uma redação do vestibular –, o medo pode ser grande. Dumbo aprendeu a voar com a ajuda da pena mágica; você pode precisar usar a voz passiva ou algum desses lamentáveis advérbios pela mesma razão. Lembre-se, porém, antes de recorrer a esses artifícios, de que Dumbo não precisava da pena, a mágica estava nele.” (p. 113)

I believe I can touch the sky 

7- Welcome to Jurassic Park!

“Quando, durante uma entrevista à New Yorker, eu disse ao entrevistador (Mark Singer) que acreditava que histórias eram coisas encontradas, como fósseis na terra, ele não acreditou em mim. […] Histórias não são camisetas promocionais ou joguinhos de videogame. Histórias são relíquias, parte de um mundo pré-existente ainda não descoberto. O trabalho do escritor é usar as ferramentas que tem na caixa para desenterrar o máximo de histórias que conseguir, tão intactas quanto possível. Às vezes o fóssil encontrado é pequeno; uma concha. Às vezes é enorme, como um Tyrannosaurus Rex, com aquelas costelas enormes e aqueles dentes sorridentes.” (p.142)

– Poxa, Stevie, existem jogos com narrativas esplêndidas! Mas eu entendi seu ponto…

8- Esqueçam os queixos resolutos e proeminentes!

“Também não acho que a descrição física deva ser um atalho para o caráter. Então, me poupem, por favor, dos “astutos olhos azuis” e do “resoluto queixo proeminente” do herói, e também das “arrogantes maçãs do rosto” da heroína. Esse tipo de coisa é técnica ruim e escrita preguiçosa, o equivalente a todos aqueles advérbios cansativos” (p. 151)

9- E por último, ele tem dito! E vai continuar dizendo, e dizendo, e dizendo:

“O simbolismo é necessário para o sucesso de sua história ou do seu romance? Na verdade, não e pode até ser prejudicial, principalmente se você perder a mão. O simbolismo existe para adornar e enriquecer, não para criar uma sensação de profundidade artificial. Nenhum dos adornos estilísticos tem a ver com a história, está bem? Apenas a história tem a ver com a história. (Já está cansado de ouvir isso? Espero que não, porque não estou nem perto de me cansar de repetir).” (p. 171)