25 citações de A Imaginação Educada, de Northrop Frye!

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Northrop Frye foi um crítico de literatura de língua inglesa e e um dos maiores teóricos de literatura de todos os tempos – apesar de ter produzido sua obra durante o século passado. No seu livro mais recente publicado no Brasil, em sua primeira edição pela Vide Editorial, são transcritas seis palestras que o professor deu e, nelas, Frye aborda questões tais como o que é a literatura, qual sua função, para que serve a imaginação e como ela interfere – e deveria nos auxiliar – na nossa visão de mundo e na nossa aprendizagem.

Frye é gênio, e aqui se seguem algumas citações do seu livro “A Imaginação Educada”.

“Assim, você logo se dá conta de que há uma diferença entre o mundo onde vive e o mundo onde quer viver. O mundo onde quer viver é um mundo humano, e não objetivo: não é um ambiente, mas um lar; não é o mundo que você vê, mas o mundo que quer construir com o que vê.”

“Uma pessoa sozinha não é um ser humano completo;”

“O ponto simples é que a literatura pertence ao mundo que o homem constrói, e não ao mundo que ele vê; pertence ao seu lar, e não ao seu ambiente.”

“Mas na imaginação vale tudo o que se possa ser imaginado, e o limite da imaginação é um mundo totalmente humano. Aqui resgatamos, em plena consciência, aquele perdido sentimento original de identificação com o que nos cerca, onde nada é externo à mente humana, onde tudou é idêntico à mente humana.”

“Nenhuma sociedade humana é tão primitiva que não tenha alguma espécie de literatura”

“Qualquer indivíduo, seja Aquiles, Hamlet, o Rei Artur, ou o pai de Charles Dickens, ao ser inserido na literatura, é logo absorvido por ela, e sua vida real já não tem a mais mínima importância.”

“Não leríamos Macbeth para aprender sobre a história escocesa – lemos Macbeth para descobrir o que se passa com um homem que conquista um reino à custa de sua alma. Quando, no David Copperfield, de Dickens, encontramos um personagem como Micawber, nossa sensação não é que Dickens chegou a conhecer um homem tal e qual, mas sim que há algo de Micawber em todas as pessoas que conhecemos e em nós mesmos.”

“O poeta, como pessoa, não é mais sábio nem melhor do que ninguém. É apenas um homem com uma habilidade especial para juntar palavras, mas fora isso talvez não tenha nada que mereça nossa atenção.”

“O escritor não é um nem observador nem um sonhador. A literatura não reflete a vida, mas também não escapa ou se retira dela: engole-a.”

“… literatura não é religião e não se dirige à crença. Mas se taparmos da nossa mente a visão desse lugar, ou persistirmos em limitá-la deste ou daquele modo, alguma coisa dentro de nós morrerá – talvez a única coisa que nos importe manter viva.”

“Sair da convenção faz o cidadão parecer esquisito ou, caso esteja dirigindo um carro, correr um perigo de vida. As únicas exceções são os que decidiram conformar-se com as convenções diferentes, como as freiras e os beatniks.”

“Na verdade, quando a literatura fica muito previsível, muito parecida com a vida, instaura-se nela um processo autodestrutivo, uma espécie misteriosa de lei dos rendimentos decrescentes.” (p. 79)

“Em literatura, para dar vida às coisas, não adianta ser fiel à vida: é preciso ser fiel à literatura.”

“Não existe isso de romance moralmente mau: o seu efeito moral depende inteiramente da qualidade moral do leitor, coisa que ninguém pode prever.”

“Há, então, duas metades na experiência literária. A imaginação dá-nos tanto um mundo melhor como um mundo pior do que este em que vivemos, e exige-nos fixar o olhar em ambos.”

“… a literatura refina-nos a sensibilidade”

“… enquanto leitor de literatura eu existo somente na qualidade de representante da humanidade inteira.”

“A arte, segundo Platão, é um sonho para mentes despertas, uma obra da imaginação extraída da vida cotidiana, dominada pelas mesmas forças que dominam o sonho, e no entanto apta a nos dar uma perspectiva e uma dimensão da realidade que não alcançamos por nenhuma outra abordagem.”

“Necessitamos de dois poderes na literatura: um para criar e outro para entender.”

“A literatura é um apocalipse humano, a revelação do homem a si mesmo; e a crítica, não um conjunto de sentenças judiciais, mas a consciência dessa revelação, o juízo final da humanidade.”

“Muitas pessoas crescem sem entender realmente a diferença entre escrita discursiva e escrita imaginária. Nas raras ocasiões em que se deparam com um poema, ou até uma pintura, tratam a obra como se ela fosse uma mensagem cifrada. Seus questionamentos baseiam-se todos nesse pressuposto. Por que o poema não diz logo a que veio? O que é que não estou entendendo? Alguém me explica o significado? Por que é que o poeta não escreveu a coisa de um jeito mais acessível? A arte de ouvir histórias é treinamento para a imaginação.”

“Tudo o que acontece no tempo desaparece no tempo: só´a imaginação é que, volto a citar Proust, consegue ver os homens como ‘gigantes no tempo’”

“Está claro que a finalidade da instrução literária não é tão-somente a contemplação da literatura; é, mais que isso, a transferência de energia imaginativa desde a literatura até o estudante.”

“Quando paramos para pensar, percebemos que a imaginação é a própria base da nossa vida social. Temos sentimentos, mas eles afetam apenas a nós mesmos e aos do nosso círculo imediato; sentimentos não podem ser diretamente comunicados em palavras. Temos inteligência e a capacidade racional, mas no dia-a-dia quase nunca chegamos a usar o intelecto por si. Em praticamente tudo que fazemos é essa a combinação entre emoções e o intelecto, chamada imaginação, que se põe a trabalhar.”

“Liberdade nada tem a ver com falta de exercício: ela é produto de exercício. Não se é livre para ir e vir a menos que se tenha aprendido a andar, e não se é livre para tocar piano a menos que se pratique. Ninguém é capaz de manifestar liberdade de expressão a menos que saiba usar a linguagem, e este conhecimento não é uma dádiva: precisa ser aprendido e trabalhado. As poucas exceções – que vêm comprovar a regra – são aqueles indivíduos que, no meio de alguma crise, se revelam donos de uma imaginação social forte e madura o bastante para fazer frente à turba.”