As 10 melhores frases de Nunca Houve Tanto Fim Como Agora, de Evandro Affonso Ferreira

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“Aquilo que era eu já agonizou, mas este morto, incessante, ainda me repete.”
Juliano Garcia Pessanha

Nunca Houve Tanto Fim Como Agora é um romance de Evandro Affonso Ferreira que conta a história de um grupo de meninos e meninas em situação de rua. Uma farândula, como chama o autor, formada principalmente por Seleno, Ismênio e Eurídice, que têm as ruas como companheira e nela trocam suas experiências de vida. Diante todo o tempo da morte, do frio, das dores e da desproteção, conseguem, ainda assim, criar entre seus corpos uma pequena zona de afeto, de troca de significados do que seria isto que se chama vida.

O NotaTerapia separou as melhores frases da obra. Confira:

*Sobrevivi, apesar dos sobressaltos da belicosidade dos dias, apesar dos anos moribundos.

*Farândola toda? Seres dantescos, sombras mutiladas: todo onde na cidade era Inferno.

*Eurídice disse-me certa vez, sob efeito de droga qualquer, não me lembro: Sou ácaro que sonha ser Ícaro. 

*Olhares desdenhosos não estilhaçam carência.




Ismênio apontou para prédio de apartamento dizendo, afirmativo: Todos estão agora dormindo de costas pra parede, sim, de costas para nós. 

Conseguem inventar coisa que chega pertinho do céu, mas não conseguem tirar a gente do inferno.

Dizem que Deus sabe tudo, mas uma coisa que ele não sabe: dividir edredons.

Existe poema de poeta espanhol, Pablo García, que termina assim: Minha vida é um nojo sem você. Pensando nela, Eurídice, diria pouquinho diferente: Minha vida foi um nojo, mas com você.

Às vezes, antes de dormir, dávamos linhas às nossas esperanças, mas dia seguinte, logo cedo, descobríamos que haviam passado cerol no sereno.

Quando deixe de vez as ruas, e se tivesse tido oportunidade de conhecer Whitman, inverteria seu verso: Nunca houve tanto fim como agora.

Edição: Record, 2017