Os 5 livros de Caetano Veloso sobre música, arte e filosofia

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“Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.”
Livros, Caetano Veloso

Que Caetano Veloso é um dos maiores gênios da nossa cultura popular (e um tanto quanto erudita), ninguém tem dúvida. Suas canções atravessaram grande parte da segunda metade do século XX brasileiro e chegou até o século XXI ainda cheia de energia e renovada de ideias e pensamentos libertários. Sem nunca se acomodar em uma forma, Caetano soube metamorfosear-se em arte em cada álbum, o que demanda, de certa forma, uma intensa renovação na forma de ver o mundo e pensar. É que Caetano, apesar de muita gente não saber, também se aventurou no mundo dos livros. Com diversas obras publicadas, tanto contando sua experiência tropicalista quanto com artigos e ensaios publicados no decorrer da vida, Caetano soube pensar o mundo em letra, em música e em arte.

O NotaTerapia separou os 5 livros publicados por Caetano Veloso. Confira:

 

Alegria, Alegria (1977)

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O primeiro livro publicado por Caetano Veloso, ainda em 1977, foi Alegria, Alegria, uma compilação de artigos, manifestos e poemas, além de entrevistas concedidas ao amigo e poeta Waly Salomão. Lançado em no auge da ditadura, o momento de lançamento da obra causou uma série de problemas com o regime militar brasileiro. A Revista Música registrou este momento assim:

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Nos fins de semana, diminui sensivelmente o movimento nas ruas centrais de São Paulo. Mas naquele dia 8 de outubro, a Rua Barão de Itapetininga foi congestionada por pessoas que queriam apenas ver Caetano Veloso ou ter seu livro “Alegria, Alegria” autografado por ele. Mas as confusões não aconteceram somente em São Paulo, já que em Salvador foram requisitados os serviços da polícia, apesar do cordão de isolamento. São Paulo foi o último local onde Caetano lançou seu livro. Além de Salvador, a Editora Pedra Q Ronca, satisfeita com a segunda tiragem de mais 10 mil exemplares de “Alegria, Alegria”, levou o autor de seu primeiro livro também ao Rio e a Belo Horizonte, onde o lançamento se deu no movimentado Edifício Maleta. Em São Paulo, ao chegar à Livraria Brasiliense, ao meio dia, estando o previsto seria às 11 horas, Caetano disse: “Estou me sentindo numa praia”, ao mesmo tempo que tomava sua inseparável Coca-Cola. Enquanto isso, o editor Wally Sailormoon apanhava os livros, muitos pedacinhos de papel e até bandeiras do Corinthians para serem autografados. […].

Fonte: http://dicionariompb.com.br/caetano-veloso/dados-artisticos
https://www.facebook.com/pg/LivroAlegriaAlegria/photos/?tab=album&album_id=978207162261041

Verdade Tropical (1997)

Autobiografia, memórias, histórias, ensaio, mesclam-se num texto elegante, escrito por Caetano Veloso, que cativa da primeira à última página. Além de contar fatos marcantes de sua carreira, Caetano narra diversos episódios decisivos de sua vida pessoal, incluindo, entre outros, a infância e a adolescência em Santo Amaro, o primeiro casamento, a prisão em 68 e o exílio em Londres. O tema do livro enfoca também a música popular. Caetano conta e interpreta a história do tropicalismo, relacionando-o com outras manifestações musicais significativas. Mas ainda: ‘Verdade Tropical’ reflete sobre questões que eclodiram nas décadas de 60 e 70, revelando um panorama da ditadura do Cinema Novo de Glauber Rocha, da presença dos Beatles e dos Rolling Stones, das drogas e do ‘amor livre’.

Fonte: Livraria Cultura

Letra só: Sobre as Letras

‘Letra Só’ é uma seleção de letras de Caetano Veloso, organizada pelo poeta e professor de literatura brasileira Eucanaã Ferraz. O volume reúne versos dos quais se suprimiu a música, fim de dar destaque à inventividade e à riqueza da escrita do compositor. ‘Sobre as Letras’ traz fotos do compositor e comentários do próprio Caetano a respeito da gênese de sua escrita. A seleção foi feita a partir das familiaridades temáticas ou formais, sem a preocupação de agrupamento por discos ou de seqüência cronológica. Entre os principais temas, estão Santo Amaro da Purificação, a Bahia, o Tropicalismo, a música, o amor, o Brasil, a existência, o cinema, a literatura e o Carnaval. O leitor de ‘Letra Só’ e ‘Sobre as Letras’ poderá confirmar a força dos versos de Caetano, com sua pulsação acelerada e seu forte diálogo com a tradição poética do país. E compreenderá melhor, a partir dos comentários do compositor a respeito das canções, por que suas letras se tornaram uma referência valiosa tanto para a poesia escrita como para a canção brasileira.

Fonte: Saraiva




O Mundo Não é Chato (2005)

O mundo não é chato reúne escritos para jornais, revistas, contracapas de discos ou que surgiram como prefácios e conferências, além de alguns textos inéditos.
Movido pelo vigor da observação, Caetano alia ao ponto de vista pessoal um inequívoco viés crítico e intelectual. Oswald de Andrade, Bob Dylan, Visconti, Pelé, Jimi Hendrix, Gilberto Gil, Glauber, Tom Jobim, Cazuza, Nelson Rodrigues, Fernando Pessoa, Elis Regina, Lorca são apenas alguns dos nomes que atravessam essas páginas. Deparamo-nos, então, com retratos, narrativas, interpretações e colagens que nascem tanto da admiração e da ternura comovida quanto da indignação, da ironia e da sátira.
O arco de tempo que o livro abrange não é pequeno: inclui textos antigos, quando Caetano Veloso era um jovem crítico de cinema em Santo Amaro da Purificação, até escritos de 2005. No entanto, muito mais que o amadurecimento de um artista-pensador, assistimos nesta caminhada um relato penetrante sobre o Brasil.

Fonte: Companhia das Letras

Antropofagia (2012)

Desnecessário apresentar o autor deste ensaio. Uma das figuras mais importantes da nossa cultura, Caetano Veloso é tão múltiplo quanto sua obra. Para além do trabalho musical, ele é antes de tudo um pensador do Brasil. Política, sociologia, arte: nenhum assunto está longe de seu campo de interesse.
Publicado em 1997, como capítulo do livro Verdade tropical, este ensaio-memória remonta o encontro de Caetano com o legado dos modernistas, em especial a obra de Oswald de Andrade.
A partir de uma montagem da peça O rei da vela, pelo Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa, Caetano refaz o trajeto intelectual que culminaria na apropriação do conceito de antropofagia pelos tropicalistas. Ao mesmo tempo, traça um retrato afetivo dessa época de efervescência cultural e política, da qual ele foi um dos principais protagonistas.

Fonte: Companhia das Letras