As 10 melhores frases de O Visitante, de Osman Lins

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Neste romance, O Visitante, Osman Lins nos dá a medida de um autêntico criador. O que predomina na sua ação, na sua história, é a figura humana que pode ser de qualquer parte do mundo. O grande poder de romancista de Osman Lins está bem evidente na criação desta imagem do pecado sem o luzir da glória efêmera, sem a luminosidade do anjo caído.

José Lins do Rego

Em uma entrevista, um repórter perguntou a Osman Lins o que é o seu livro O Visitante. A resposta foi: “É a história de um indivíduo de aspecto inofensivo, cuja fraqueza contém uma terrível capacidade de destruição. Despertando a piedade, manejando com uma habilidade extrema o logro e a calúnia, exerce a ação de um ácido sobre as vidas dos que dele se aproximam. Duas mulheres são vitimadas, de modo diferente.”

O NotaTerapia separou as 10 melhores frases da obra. Confira:

Cerque-se um homens de artistas e será um artista; cerque-se um homem de sábios e será um sábio, Isto se aplica à moral.

Cansado da vida, propriamente, não. Cansado de viver. Essa agitação constante…esgota. Aniquila.

“Ele quer ser amado…” Mas não entendia a velada acusação dessas palavras.
Quem não queria? Quem neste mundo, seria indiferente à afeição?

Amava-o. Que mal havia nisso? Nada viria a sentir se ele fosse alegre, sadio. Mas era um homem aflito, a quem as menores satisfações sempre havia, sido negadas. Que mal poderia haver em socorre-lo, levar-lhe a sua ternura? Ele não era como os outros. Era um homem austero, sem atrativos.



Que mal faria se estivesse ali? Ficaria sentado, arrastaria os pés, talvez a consolasse; seria um ser vivo, uma testemunha. Ela não estaria só.

A História está cheia de traições. Os exemplos de fidelidade é que são raros. Muito raros.

Desde então, ao sair de um lugar, era frequente assaltar-lhe a impressão de que deixara algum indício comprometedor, receio que atacava de súbito, à noite, pondo-a em sobressalto.

A calúnia dos amigos é a mais perigosa. (…) Você precisa tirar-lhe esse título, para que sua maledicência perca a força.

De olhos cerrados, nada escutava do que acontecia no exterior, ela se entregava àquela vibração íntima que a dominava. Mas fora atingida mortalmente – insistia. Estava perdida. Que importava, porém? Não era delicioso que a perdição trouxesse aquela plenitude, aquela estonteante sensação de estar viva?

Quero-o com uma loucura de que nunca me imaginei capaz. – repetia a si mesma, com excessiva frequência. Mas não sentia no coração a sinceridade dessas palavras, o que constituía sua mais profunda tristeza.

Edição: Summus Editorial, 1979